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quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

...e outro ou o mesmo em crescendo...


...há quem diga que se transformou num falcão azul e que voa sobre a cidade encantando os céus.
À noite o seu cântico ecoa por detrás das montanhas, transformando as noites vazias e frias num sonho aguçado.
Agora seu lugar na praça é ocupado por uma vendedora de estórias, ninguém a conhece, as pessoas param incrédulas. Olham. Comentam.
"Vejam, vejam, é cega!!"
Nos seus ouvidos entram murmúrios de gozo envoltos de remorso.
As crianças adoram-na, as suas estórias fazem-nas sonhar, levitar, é como se por cada palavra contada nos aproximássemos derradeira mente do grau-zero da leveza. As suas palavras evocam um antigo vendedor de sonhos, que voava sobre o azul nocturno do céu e falava com as montanhas na escuridão da noite. Deslizava como as sombras evaporando se em simbiose frenética com as nuvens, DISSOLUÇÃO. Daí observava a Terra e chora, muito, muitas vezes, originando enormes monções que cobriam quantidades enormes de território, gerando um cenário de caos e destruição... Depois nascia o sol e com ele milhões de novos focos de vida, Criação.
Do eco cortante do vento apenas se ouvia um murmurio desejante, rouco:"E deus fará de mim uma nova espécie de santo...E deus fará de mim uma nova espécie de santo..."